Folha de S. Paulo – SP, 20/07/2007, Dinheiro, B-4
Medidas para afetados pelo câmbio ainda não saíram
Leandra Peres
Um mês depois de anunciadas com estardalhaço pelo governo no meio de junho, nenhuma das medidas do pacote de ajuda aos setores afetados pela valorização cambial está em vigor. Os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Desenvolvimento) prometeram R$ 3 bilhões em linhas de financiamento com juros subsidiados e R$ 650 milhões em mudanças tributárias, segundo os dados divulgados durante entrevista coletiva no Ministério da Fazenda.
Mas até hoje os setores de calçados, têxteis, móveis, eletroeletrônicos e automóveis -eleitos pelo governo como alvo da ajuda oficial- ainda esperam a edição de medida provisória, regulamentações do CMN (Conselho Monetário Nacional), do Tesouro Nacional, da Receita Federal e negociações internacionais no Mercosul para conseguir ter acesso ao dinheiro. As explicações do governo para a demora entre o anúncio e a regulamentação das medidas variam de acordo com o ministério responsável.
O do Desenvolvimento, Indústria e Comércio afirma que a mudança na tributação dos vestuários, parte que lhe cabe diretamente no pacote anunciado, está em negociação com os parceiros do Mercosul. A assessoria de imprensa explica que alteração já foi aprovada pela Camex (Câmara de Comércio Exterior) e agora depende da concordância do Uruguai, um dos parceiros. A Casa Civil da Presidência da República, que recebe todas as propostas de MP e dá a palavra final sobre o assunto, informou que já recebeu a MP, mas depende de análises técnicas do Ministério da Fazenda, que 'está liderando a discussão no governo', informou a assessoria de imprensa da ministra Dilma Rousseff. Na Fazenda, a informação é que as medidas serão todas implementadas por meio de uma única MP, que já está na Casa Civil e pode ser publicada ainda hoje. Na avaliação do ministério, a regulamentação do pacote está 'em andamento, dentro de um prazo razoável'.
Frustração
Os setores mais diretamente afetados pelo câmbio -têxtil, calçados e móveis- criticam a demora do governo para a implementação e consideram que a falta de regulamentação prejudica a efetividade das medidas e aumenta os prejuízos com o câmbio. 'Não adianta o governo lançar [pacotes], prometer e nada acontecer. Fica tudo só no discurso. O governo fala que vai beneficiar o setor, mas até agora nada aconteceu', diz Álvaro Weiss, vice-presidente da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário). 'Temos até uma certa frustração. Há uma expectativa criada que não se verifica e o setor continua amargando prejuízos', diz Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados).
A expectativa da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), com base em informações repassadas pelo governo, é que a regulamentação do pacote esteja pronta até o fim do mês. 'O ideal seria que as medidas, quando anunciadas, já estivessem preparadas, porque quando você vai discutir os detalhes, as coisas se complicam', afirma Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit.
Cruzeiro do Sul –SP, 13/07/2007, Economia, C-1
Têxteis têm déficit no primeiro semestre
A balança comercial da cadeia têxtil e de confecção encerrou o primeiro semestre com déficit de US$ 403,5 milhões, resultado de um aumento de 42,45% nas importações, para US$ 1,407 bilhões, e de apenas 0,4% nas exportações, para US$ 1.003.,5 bilhão. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) projeta um déficit para este ano na balança setorial da ordem de US$ 1 bilhão. Em 2006, a balança setorial fechou com déficit de US$ 60 milhões após cinco anos seguidos de superávit. No mês de junho, as exportações caíram 2,42%, ante junho de 2006, para US$ 149 milhões. As importações cresceram no mês passado 21,12% para US$ 205 milhões, gerando um déficit de US$ 56 milhões. Em junho de 2006, o déficit comercial havia sido de US$ 16,8 milhões. A Abit atribui os números aos efeitos negativos sobre a indústria brasileira do cambio apreciado, juros altos, importações fraudulentas e falta de acordos comerciais internacionais, além da alta carga tributária.
Valor Econômico – SP, 19/07/2007, Brasil , A-4
Uruguai rejeita pedido para elevar tarifa de confecções
Raquel Landim
O Uruguai não aprovou o pedido do Brasil para elevar a tarifa de importação de confecções para 35% em reunião realizada em Montevidéu na terça-feira. O sócio do Mercosul, que acaba de conceder um pacote e incentivo para o setor, está preocupado com o impacto dessa dupla proteção na economia. O governo uruguaio pediu o Brasil mais tempo para analisar o pedido, mas não estabeleceu um prazo.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, afirmou, em comunicado distribuído ontem pelo governo, que o Brasil quer que o aumento seja praticado por todos os países do bloco, mas que, se o Uruguai não concordar, deverão ser feitas consultas junto aos demais países para buscar uma solução definitiva. Argentina e Paraguai já haviam concordado com o pedido brasileiro.
'Se o Uruguai não aprovar, o Brasil deve estabelecer por conta própria. Não podemos colocar em risco o setor por causa de uma assimetria no bloco', diz Fernando Pimentel, secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Ele acrescenta que o setor têxtil emprega 1,6 milhão de pessoas.
A solução sugerida pelo empresário, e cogitada pelo governo, consiste na adoção de um 'waiver', uma licença para o Brasil praticar uma tarifa de importação para confecções diferente dos demais sócios do bloco.
O Brasil também pretende elevar a tarifa de importação de calçados para 35%, como parte do pacote de ajuda aos setores afetados pelo câmbio. O Uruguai também ainda não deu uma resposta definitiva sobre esse tema, mas o governo brasileiro acredita que o pedido deve ser aprovado nos próximos dias. Nas reuniões de terça-feira, Brasil e Uruguai também ratificaram a renovação do acordo automotivo até 30 de junho de 2008.
Valor Econômico, São Paulo, 18/07/2007, B12
Exportações de algodão batem recorde nesta safra
As exportações brasileiras de algodão da safra 2006/07 serão recordes. A colheita da pluma, de uma produção de 1,45 milhão de toneladas, já está na metade e, desse total, cerca de 600 mil toneladas estão comprometidas com o mercado externo - com uma receita estimada em US$ 765 milhões (considerando os preços médios de exportação dos últimos 12 meses). Para a safra 2007/08, cujo plantio começa a partir de novembro, as vendas externas seguem em ritmo avançado e devem superar os números do atual ciclo. Até ontem, 525 mil toneladas já tinham registros para o exterior na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
Quarto maior exportador mundial, o Brasil está competindo de igual para igual com os EUA, que sinalizam reduzir a área plantada. De líquido importador nos anos 90, os produtores brasileiros já exportam algodão para mais de 60 países, tendo a Ásia como principal destino.
Com o consumo no mercado interno estagnado, em torno de 800 mil toneladas/ano, os produtores têm apostado mais nas exportações. Para a safra 2008/09, há 280 mil toneladas comprometidas e outras 57 mil toneladas negociadas para 2009/10.
Também favoreceram as exportações, os leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) realizados pelo governo. Esse instrumento é usado para garantir um preço mínimo aos produtores nos momentos de baixa do mercado. Através dele, é feita a equalização entre o preço de mercado e o preço mínimo.
Na sexta-feira passada, representantes da cadeia do algodão pediram ao governo para antecipar os leilões de Pepro para o fim deste terceiro trimestre. Segundo Sérgio De Marco, presidente da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) e da Câmara Setorial do Algodão, essa medida garante capital de giro ao setor, que 'está prejudicado com a constante desvalorização do dólar'.
Apesar do aumento dos preços do algodão na bolsa de Nova York, a queda do dólar ante o real inibe os investimentos em aumento de área. Nos últimos doze meses, os preços em Nova York se valorizaram en 24,5%. Ontem, os contratos para dezembro fecharam a 65,70 centavos de dólar por libra-peso. Os contratos futuros da pluma sinalizam preços acima de 70 centavos. 'Mas para compensar o plantio, os preços teriam de ficar acima de 80 centavos de dólar', diz De Marco.
Por conta dessas incertezas sobre os preços, os produtores de algodão ainda estão em dúvida sobre aumentar ou não a área plantada para 2007/08. Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) mostram que a colheita nesta safra deve ficar em cerca de 1,45 milhão de toneladas. Se confirmadas as estimativas, será um crescimento de 40% sobre 2005/06. Para 2007/08, a expectativa é de que a área se mantenha em 1,09 milhão de hectares e a produção nos patamares atuais.
O oeste baiano, principal região produtora do Estado, é a única região do país, até o momento, que se dispõe a aumentar a área plantada. 'A Bahia é o único Estado que tem aumentado a área plantada ininterruptamente nos últimos anos', afirma Lucílio Alves, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
As regiões de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras viraram reduto de produtores de algodão e estão atraindo americanos. Segundo João Carlos Jacobsen Rodrigues, diretor da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), há quatro produtores americanos plantando na região e outros estrangeiros sondando a área. Nesta safra, o plantio cresceu 33%, para 282 mil hectares, e deve aumentar 5% em 2007/08. , 'Boa parte da nossa produção é voltada para exportação', afirma Jacobsen.
A Tarde – Salvador BA, 16/07/2007, Rural, 4 e 5
Produtores do oeste estão preocupados
Em meio à euforia do crescimento do algodão na região oeste do Estado, com quase 300 mil hectares plantados, surge o alerta do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Carlos Jacobsen, de que as condições de sustentabilidade na próxima safra estão ameaçadas. Entre essas condições estão câmbio desfavorável, as más condições de logística de escoamento e a falta de reformas significativas nas áreas trabalhista e tributária. Diz, ainda, que os preços não cobrem os custos de produção.
“Com as médias de produtividade nacional atuais entre 230 e 240 arrobas de algodão em caroço por hectare, o equivalente a 95 arrobas de pluma, pode resultar em uma diminuição significativa de área plantada”, afirma. Na sua avaliação, se não surgir um programa político de longo prazo, que garanta preços mínimos, poderá não haver competitividade no futuro.
De acordo com o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Walter Horita, nas últimas três safras, quando se abateu sobre o agronegócio nacional uma das maiores crises, o algodão ajudou a manter aquecida a economia regional. Ele enfatiza que, como a matriz produtiva é diversificada, “o produtor que tinha algodão atravessou a crise com menos dificuldades, pois os preços estavam melhores”. Mas a situação tende a se modificar e Walter Horita teme que, na próxima safra, o produtor tenha de investir ainda mais em gestão de custos e tecnologia, para agregar maiores produtividades às suas lavouras, para neutralizar a situação. “A competência do cotonicultor do oeste tem garantido marcas inéditas de produtividade. Estamos fazendo a nossa parte, mas o governo precisa realizar ajustes”, diz o presidente da Abapa.
A necessidade de adequações governamentais, como a redução de juros de custeio e de investimento, bem como conseguir maior agilidade na realização dos estudos de novas variedades transgênicas, é enfatizada pelos presidentes das duas associações. Para João Carlos Jacobsen, é preciso reduzir os encargos na folha de pagamentos e melhorar as condições das estradas, portos e aeroportos.
No mercado futuro, os especialistas vislumbram algum aumento nos preços do algodão no mercado internacional. Na semana passada, o produto baiano estava cotado em R$ 39,02 o fardo (15 kg) de algodão em pluma e R$ 15 o do algodão em caroço. Porém, segundo os produtores, no período em que o dólar estava em torno de R$ 2,20, esses valores cobriam os custos de produção.
Agora, com o dólar a R$ 2, já não são suficientes. O economista e corretor de Commodities Raimundo Santos Dias ressalta que os produtores, além de diminuir custos, ganhar em produtividade e fazer planejamento financeiro e comercial, terão que conhecer mais sobre o mercado futuro. Ele justifica, dizendo que já há produtores negociando a safra 2010. “Isso acontece porque esse produtor já conquistou o mais importante, que é a credibilidade no mercado internacional”, afirma Santos Dias, destacando a capacidade de o cotonicultor baiano garantir a oferta e honrar os contratos. Para Jacobsen, o ideal é negociar cerca de 50% da produção em contratos futuros, ou pelo menos o equivalente aos custos “mas isso vai depender de cada situação”.
Segundo lugar
Com uma matriz produtiva diversificada, o cerrado baiano tem se destacado pelo crescimento da área de algodão, que nesta safra foi plantado em 276.355 hectares, e pela produtividade, com média de 250 arrobas por hectare, chegando a produzir 280 arrobas por hectare em fazendas mais tecnificadas. Até a semana passada, cerca de 50% da área já havia sido colhida e o movimento com as colheitadeiras prossegue até o final do mês.
A cultura, que começou em larga escala na região há uma década, registrou um crescimento de 30,5% na produção em relação ao ano passado, saindo de 772 mil toneladas de algodão em caroço para mais de um milhão de toneladas de acordo com estimativa da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
Em área plantada, o incremento foi de 29%, consolidando a Bahia como segundo maior produtor nacional, atrás do Mato Grosso, que nesta safra está produzindo 793,3 mil toneladas de algodão em pluma.
Com esses números, os cotonicultores já respondem por 30% da produção nacional. Porém, não foi apenas em índices de produção e produtividade que o Estado teve bom desempenho.
Na última safra, o algodão já correspondeu a 51% do Valor Bruto da Produção (VBP) do oeste da Bahia, excetuando-se a pecuária.
Para a safra 2006/2007, a receita regional obtida com o agronegócio está estimada em cerca de R$ 3 milhões.
A cultura do algodão, que em área representa 17% da produção do cerrado baiano, deve ficar em cerca de R$ 1,6 milhão. A produção primária do algodão, envolvendo preparo do solo, plantio, capina, tratos culturais e colheita, promove mais de 12 mil empregos diretos, permanentes e temporários. Além destes postos, gerados no campo, mais 3 mil pessoas estão empregadas nas 54 beneficiadoras que processam a produção regional da fibra.
Conquista do setor
Este ano, entre as conquistas mais comemoradas pelos produtores de algodão da Bahia está a escolha do Estado para a instalação do Selo Purê Brazil Cotton de denominação de origem, de iniciativa da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit).
O selo funciona como certificado de qualidade e foi decisivo para a vitória histórica da fibra brasileira em concorrência com o algodão egípcio no início do ano, quando a fibra produzida nas fazendas do oeste foi matéria-prima para a confecção de 16 milhões de peças industrializadas, que ocupam espaço em uma das mais importantes cadeias varejistas dos Estados Unidos, a JC Penney.
Uma outra vitória dos cotonicultores baianos foi a manutenção do Programa de Apoio à Cultura do Algodão (Proalba), anunciado durante visita do governador Jaques Wagner à região.
O programa concede incentivos fiscais de até 50% do valor do ICMS incidente sobre a pluma vendida para outros estados brasileiros. Mas, apesar de o anúncio ter sido feito em maio, os produtores ainda esperam a efetiva implementação das mudanças pelo governo do Estado.
Difusão de tecnologia agrícola
Na busca por mais qualidade e produtividade para o algodão baiano, a partir de 2008, o oeste do Estado vai contar com o Centro de Pesquisa e Difusão de Tecnologia Agrícola. Os recursos para implantação do empreendimento serão provenientes da iniciativa privada, com aporte financeiro do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro), da Fundação Bahia e da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). Além do algodão, o centro abrigará, também, os ensaios de pesquisas com soja, milho, café e cana-de-açúcar.
Instalado no município de Luís Eduardo Magalhães, por conta de um convênio entre a Abapa e a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), e com capacidade de produção de 200 mil amostras, em cada safra, o Centro de Análise de Fibra recebeu do International Cotton Advisory Comittee (Icac) uma das mais altas notas concedidas a laboratórios de análise de fibras em todo o mundo. Com a máquina HVI (High Volume Instrument), o centro recebeu nota 0,48, durante o julgamento – promovido a cada três meses pela entidade internacional – durante o Quarterly Trial 2007. De acordo com as normas do Icac, quanto mais próxima de zero, maior é a pontuação. A maior nota concedida no julgamento foi de 0,22 e a média ficou em 0,61.
Através de um convênio entre a Abapa e a certificadora alemã Kuhlmann, desde o ano passado, a capacidade de análise de fibras no Estado teve um incremento. Este ano, o convênio, que já atendia à unidade de análise de fibras da Associação em Roda Velha, no município de São Desidério, foi estendido ao laboratório da Abapa, em Luís Eduardo Magalhães. Juntos, os centros têm seis máquinas HVI e capacidade efetiva para analisar 12 mil fardos por dia.Durante a safra, os centros trabalham em três turnos, atendendo, além de produtores da Bahia, clientes de outros estados, principalmente de Goiás.
Gazeta Mercantil - SP, 13/07/2007, Indústria, C-5
Importação de vestuário aumenta 40% no semestre
As importações brasileiras de vestuário cresceram 42,4% no primeiro semestre deste ano e alcançaram US$ 236,5 milhões. Já as compras externas de artigos de cama, mesa e banho somaram US$ 19,94 milhões valor 133% maior que em igual intervalo do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit).
A importação de confeccionados cresceu 45,62%, para US$ 274 milhões. A compra externa de fios subiu 89,12%, para US$ 82,29 milhões e a de tecidos teve alta de 46,84%, alcançando US$ 271,83 milhões. No total, a importação do setor têxtil alcançou US$ 1,4 bilhão, valor 42,49% maior do que o do primeiro semestre de 2006. Já a exportação ficou em linha com a do ano passado em cerca de US$ 1 bilhão.
Só no mês de junho a importação subiu 21,12%, para US$ 205,3 milhões, enquanto a exportação teve queda de 2,42%, atingindo US$ 149 milhões.
A balança comercial sofre os efeitos do câmbio, mas, segundo o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, a ação da Receita Federal na fiscalização das compras externas já elevou o preço médio desses negócios de US$ 8,5 para US$ 14,5. "O Brasil importa vestuário por preço 50% menor do que o pago nos Estados Unidos e na Argentina", afirmou Pimentel, acrescentando que há três anos os registros de importação de produtos chineses no Brasil tem valor cerca de 50% menor do que os informados pelo governo chinês.
TEC
Na próxima terça-feira, representantes do setor têxtil e de governos do Brasil e do Uruguai voltam à mesa de negociações para discutir um aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) para confecções, tecidos e calçados. O pleito do Brasil é elevar de 20% para 35% a alíquota para confecções e calçados. No caso dos tecidos, o percentual passaria de 18% para 30%. Os novos percentuais já são praticados pela Argentina, que desde o começo negociou posição diferenciada. O Paraguai não aceitou elevar a tarifa para tecidos e concordou com as demais, já o Uruguai, a princípio, não tem intenção de elevar nenhuma das duas alíquotas.
O coordenador da área internacional da Abit, Domingos Mosca, informou que o pleito brasileiro poderá se viabilizar com um acerto entre os países para que o Brasil tenha uma licença para praticar alíquotas diferenciadas, assim como no caso do país vizinho, a Argentina.
Pimentel disse que o impacto do aumento de alíquota de tecidos no preço das confecções é de cerca de 3% já que o tecido representa perto de 35% do custo da confecção.
Revista América Economia - SP, 18/07/2007, Negócios, 41
Amor à camisa
EM 2003, quando chegou à presidência da Dudalina, fabricante de camisas de Blumenau, em Santa Catarina, a primeira coisa que Sônia Regina Hess de Souza fez foi presentear cada diretor da empresa com um cortador de unha. A mensagem foi clara. "Disse a todos que as unhas são como os custos. Se não se cortam, não param de crescer", conta Sônia.
Os resultados não se refletiram apenas nas mãos dos executivos. Juntamente com um modelo de gestão compartilhada e um Plano de Participação no Resultado (PPR), o pulso firme na administração resultou num aumento no faturamento de 32% apenas no primeiro ano.
Em dois anos e meio, a produção anual de peças registrou aumento de 1,6 milhão para 2,4 milhões, e o faturamento tinha subido 50%. "Nossos gestores têm seu parecer e podem mudar uma decisão. Mas, se não cumprirmos metas, temos todos que sair."
Para este ano, as estimativas são de que a Dudalina venda R$ 120 milhões, um aumento de quase 30% em relação a 2006. Fazer o discurso virar prática fica mais fácil quando se trata de alguém que teve sua vida dedicada à empresa iniciada por sua mãe há exatos 50 anos, com duas máquinas de costura, e que conhece como a palma da mão. Não é para menos que Sônia chegou no timão da Dudalina deixando para trás outros 15 irmãos 11 deles homens. "Aqui não há diferença de gênero. O negócio é trabalhar."
Mas não se pode negar que o olho feminino ajuda a identificar os detalhes que satisfazem as outras mil mulheres que trabalham na fábrica e que compõem cerca de 90% do total dos empregados como espelhos grandes nos banheiros e paisagismo. "São coisas que podem ser feitas sem custo muito alto", diz. A Dudalina é a maior exportadora brasileira de camisas de tecido plano.
Do volume vendido em mais de 50 países, cerca de 650 mil peças ao ano, 80% são feitos pelo sistema de private label produção com marca de terceiros, entre eles Zara e Levi's e o restante com as marcas próprias: Dudalina, Individual e Base.
Sônia obedece a uma frenética rotina viajando semanalmente entre Santa Catarina e São Paulo. Além da empresa, também é diretora da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e foi a primeira mulher a ocupar esse cargo. "Mas quem faz supermercado e compra toda a roupa do meu marido ainda sou eu", brinca. Apesar de tanta disposição, já marcou data para se afastar da Dudalina: 2012. Até lá, entretanto, não faltam desafios. Está investindo R$ 3 milhões em suas quatro fábricas para produzir calças. E quer impulsionar as marcas próprias da empresa, para o que passou a trabalhar com lojas próprias sob o sistema de franquias (em Santa Catarina, São Paulo e uma loja no Paraguai). "É a única forma de chegar mais perto do consumidor. Numa loja de departamentos é preciso disputar cada centímetro quadrado."
Tudo isso porque, apesar de ser uma líder em exportações, ainda acredita que tem muito a crescer no Brasil. "O grande desafio do País é a melhoria da distribuição de renda. No Brasil, o consumo per capita de têxteis é a sexta parte do que se compra nos EUA."
Já os desafios para aumentar as vendas externas parecem não tirar o sono da empresária. "O dólar está baixo, o juro está alto e a China está ai ', diz Sônia. "Uma hora algo acontecerá. Enquanto isso, não dá pra ficar chorando. Busco oportunidades."
Site Global 21, São Paulo, 13/07/2007
ARGENTINA - Crise energética já prejudica a produção de empresas brasileiras instaladas no vizinho
Empresas brasileiras que importam ou que têm operações na Argentina já estão sendo prejudicadas pela crise energética, que restringe a produção industrial no país. O problema também pode impactar o bolso do consumidor brasileiro -os preços de farinha de trigo, óleo e farelo de soja podem subir.
Por causa das restrições ao consumo, a unidade argentina da têxtil Santista registrou redução de 15% na produção nos últimos dois meses. Desviar a produção para o Brasil, afirma Camilo Gabrielli, diretor industrial da empresa, não é viável. "Estamos esperando que o frio diminua", avalia. "Creio que todas as empresas estão tendo certo prejuízo lá."
Segundo o presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira, Alberto Alzueta, a crise de energia no país também está impactando alguns casos de importações. "Entregas já estão sendo afetadas. Sabemos de casos de empresas de laticínios, já que muitas usinas operam com atividade reduzida, e de empresas de autopeças que também sofrem", afirmou.
O setor calçadista brasileiro, que nos últimos anos mostrou grande interesse em investir no país, avaliou ontem, durante a Francal, maior feira de calçados do Brasil, que a situação é "preocupante". "Se o problema se agravar, a empresa vai buscar uma solução, como já aconteceu no período de apagão no Brasil, de implantar seu próprio sistema de geração de energia", afirma Milton Cardoso, presidente da Abicalçados e da Vulcabras, que comprou a fábrica argentina de calçados Indular. Por enquanto, diz ele, não houve queda na produção.
Josué Gomes da Silva, presidente da têxtil Coteminas, também presente no país vizinho, afirma que a situação preocupa, mas avalia que a empresa não será afetada. "Por enquanto, não sofremos restrições."
As indústrias de trigo brasileiras já acenam com a possibilidade de o preço da farinha subir no mercado interno devido à crise: as importações devem cair, já que os argentinos não devem conseguir cumprir os contratos, e serão substituídas pelo produto nacional, entre 10% e 12% mais caro que o argentino, segundo o Sindustrigo.
Óleo e farelo de soja também devem ser pressionados se os exportadores brasileiros substituírem as vendas externas argentinas desses produtos.
O Estado de S. Paulo, SP, 10/07/2007, Economia & Negócios, B2
Qualificação e remuneração
José Pastore*
Com o aquecimento da economia global, nota-se um aumento de salários de pessoal qualificado em quase todas as regiões do mundo.
Entre 2006 e 2007, os salários do pessoal qualificado subiram 8% na China e 6% na Índia, descontada a inflação (Salary growth, The Economist, 31/3).
Os salários nos países mais avançados também subiram, mas de forma moderada. Esse é o caso do Japão (2%), da Inglaterra (1,8%), da França e da Itália (1,7%) e da Alemanha (1,5%).
Teria chegado então a esperada convergência salarial entre os países emergentes e os avançados? Os bens e serviços dos primeiros ficarão mais caros? É o fim do 'dumping social'?
As vantagens comparativas dos emergentes não decorrem apenas de salários, e sim de tributação, juros e subsídios favoráveis. Antes de se concluir pela chegada da convergência convém lembrar que a base sobre a qual os aumentos incidem é muito baixa. O salário médio na indústria da China é cerca de US$ 0,64 por hora, em média. Para o pessoal qualificado é de aproximadamente US$ 1,50. Na Índia se dá o mesmo. Um contador que processa milhares de declarações de Imposto de Renda de americanos, por meio da internet, ganha cerca de US$ 400 mensais.
Esses salários estão muito longe dos praticados nos países ricos. No Japão, o salário médio na indústria é de cerca de US$ 18 por hora; nos Estados Unidos, US$ 21; e na Alemanha, US$ 30. No caso de profissionais especializados, esses salários são ainda mais altos. Nos Estados Unidos, o contador da Índia ganharia cerca de US$ 3 mil mensais. São diferenças enormes que, mesmo com os aumentos registrados, levarão muito tempo para convergirem.
No Leste Europeu, em especial na Polônia, na Hungria, na Bulgária e na Romênia, os salários de 2007 também subiram. No setor da construção da Bulgária, por exemplo, a elevação foi de 20% (Eastern Europe hit by shortage of workers, Financial Times, 5/6). Mas lá também a base é muito baixa. O salário médio na indústria da Polônia, da Estônia e da Eslováquia é de aproximadamente US$ 3,80 por hora. Na Lituânia é de US$ 3.
Em outras palavras, serão necessários muitos anos para se chegar à esperada convergência salarial. A China acaba de fazer uma pseudo-reforma trabalhista que pode, eventualmente, elevar o custo do trabalho. Digamos que ele dobre, passando de US$ 0,64 para US$ 1,30. Isso continua muito longe da situação do Japão, da América do Norte e da União Européia.
O Brasil também apresentou um expressivo crescimento dos salários no primeiro semestre de 2007. Neste caso, o aumento decorreu de uma combinação perversa da falta de mão-de-obra qualificada com a valorização do real.
O rendimento médio mensal em fevereiro de 2007 foi de R$ 1.096 - cerca de 6,6% superior ao verificado no mesmo período de 2006 (IBGE, Pesquisa Mensal de Emprego, março de 2007). Transformado em dólar, o salário médio foi de US$ 523. Levando-se em conta o comportamento da taxa de câmbio, o aumento em dólares entre 2006 e 2007 foi de 10,7%. No caso do pessoal especializado, a média salarial na indústria é de R$ 2.020 mensais, ou seja, US$ 1.000, o que dá cerca de US$ 4,83 por hora.
Isso mostra que o custo do trabalho do Brasil está bem abaixo dos países desenvolvidos e bem acima dos países emergentes. É exatamente com eles que se dá a competição feroz nos setores de calçados, tecidos, confecções e mobiliário, em que o Brasil perde espaço no comércio internacional.
O salário médio de US$ 0,64 por hora da China está muito longe dos US$ 4,83 praticados no Brasil. Há casos ainda mais graves. O Vietnã tem um salário médio industrial de US$ 0,28 por hora! Com isso, aquele país está atraindo investidores e entrando no comércio internacional de forma acelerada, em especial, em confecções, sapatos e tênis.
Não há por que propor uma redução do salário nominal no Brasil. Para o nosso custo de vida, a média dos salários é baixa. Assim sendo, convém pensar em preservar o salário (e até aumentá-lo) e reduzir as despesas de contratação que chegam a 103%.
Um Simples Trabalhista poderia ajudar muito nesse campo, em especial as empresas de pequeno porte que mais sofrem nos setores de confecções, calçados e mobiliário. Seria melhor do que o sistema de subsídios recém-adotado pelo governo federal